O MISTÉRIO DAS MÁSCARAS DE CHUMBO


O que você pensaria se visse dois cadáveres no meio da mata, juntos com um enigmático e desconexo bilhete, sobre ingerir cápsulas, e um papel alumínio moldado como um copo?
Certamente, a imaginação te levaria aqueles que acreditam no paranormal, na vida extraterrestre e em teorias da conspiração das mais complexas.
O caso das mortes misteriosas de dois homens intriga a muitos e muitos anos, e continua a ser um dos casos mais estranhos e misteriosos conhecidos pelo mundo todo, ainda sem nenhuma solução. 
É o Mistério das Máscaras de Chumbo.

Manoel e Miguel

Miguel era do Rio de Janeiro, era casado, e tinha Manoel como sócio de um loja de consertos eletrônicos, em Campos dos Goytacazes, reparando desde televisores a rádios, a outros aparelhos domésticos.
No dia 17 de agosto, ambos os homens disseram as suas famílias que iam para São Paulo, para comprarem peças para a eletrônica, além de um carro, que seria Manoel o seu comprador. 
Os 2 homens rumaram para a rodovia da cidade, ainda no dia 17, na companhia de Élcio Correa Gomes, o aprendiz que os ajudava na oficina, para aprender a técnica em eletrônica.
Porém, a primeira coisa estranha nessa história, foi que os dois não compraram passagens para São Paulo, como bem tinham dito para suas esposas, mas sim para Niterói, nunca tendo sido claro o porque.

Miguel, a esquerda e Manoel, a direita. Fonte: freak tv

Foi descoberto que os dois chegaram em Niterói, ainda no estado do Rio de Janeiro, as 14h30 do mesmo dia, tendo ido ao encontro de outro dono de oficina eletrônica.
Esse comerciante, que não está claro em nenhuma fonte quem exatamente era, informou que já conhecia os dois, que já tinha estado em Campos antes, tendo tido contato próximo com eles, mas que naquela ocasião, eles tinham ido a loja só para conversarem, sem comprarem ou pedirem o conserto de nada.
Em seguida, foram para uma loja de artigos plásticos e de borracha, e compraram itens de segurança para o trabalho e as capas de chuva.
Mas como mais uma das coisas estranhas desse caso, começou a chover naquela mesma hora, e mesmo assim, eles não usaram as capas, as mantendo guardadas.
Um tempo incerto depois, foram vistos em um bar, onde compraram uma garrafa de água rica em magnésio, chamada de magnesiana.
Sobre esse tipo de água em especial, é importante dizer que ao um ser humano tomá-la, ela causa relaxamento muscular, dos vasos sanguíneos, e também é usada complementarmente para tratamento da enxaqueca. 
Eles compraram tipos de proteção corporal e um relaxante. 
Estavam se preparando para alguma situação extrema?
Foi naquele bar que os dois homens tinham sido vistos pela última vez, pela última vez vistos vivos, e tudo que aconteceu depois daquele bar, foi bizarro.

Cena Estranha 

Em 18 de agosto de 1966, um jovem, também de nome não informado, estava caçando pássaros no Morro do Vintém, em Niterói, quando que ao olhar para uma clareira quando descia o morro, se deparou com a visão que realmente não esperava ver ali, bem naquela ocasião, naquele lugar. Dois homens adultos, mortos e deitados um do lado do outro.
Ao descer de lá e contar a colegas próximos, esses não deram muita importância ao caso.
No dia 20, o menino Jorge da Costa Alves, estava soltando pipa no mesmo morro, e também viu os dois corpos, com a diferença de que avisou a polícia o que viu.
Só na manhã seguinte, dia 21, que a polícia, o corpo de bombeiros, moradores locais e repórteres, subiram o morro para verem e analisarem a cena.

O Morro do Vintém, na cidade de Niterói, RJ. Fonte: freak tv

Os dois mortos já estavam em estado de decomposição avançado, sobre um toco grande de cimento. Eles u
savam capas de chuva sobre as roupas formais que tinham, e ao lado estavam uma garrafa de água mineral, e papel laminado moldado como se fosse copo para tomar a água. 
As outras coisas que estavam junto dos cadáveres também não explicavam o que tinha acontecido ali: um embrulho com duas toalhas dentro, um par de óculos com uma aliança em uma das hastes, uma garrafa de água vazia, algumas toalhas e um pouco de dinheiro.
Mas estavam ali também, as pistas mais bizarras, as mais comentadas até hoje sobre esse caso, estranhas máscaras caseiras de chumbo, que tinham formatos de óculos, e um bilhete que um dos mortos tinha no bolso. 

“16:30 estar no local combinado, 18:30 engolir cápsulas, após efeito proteger metais aguardar sinal máscara.”

Tinha ainda no bolso do outro cadáver, outro papel com anotações de eletrônica, no caso uma equação que calculava energia movida por resistência, e potência elétrica de uma resistência.

As enigmáticas máscaras de chumbo e o bilhete. Fonte: portal vigília

Não demorou para a polícia identificar quem eram aqueles homens: Manoel Pereira da Cruz, de 34, e Miguel José Viana, também de 34, sendo que algumas fontes dizem que Manoel tinha 32. 
Um acontecimento importante, foi que do dinheiro que a esposa de Manoel disse que ele tinha levado, não estava na cena, o que sugere que ele tinha mesmo gasto boa parte dele.
Naturalmente, a polícia conversou com os familiares e todas as pessoas próximas aos dois homens, e descobriu a viagem que os dois fizeram naquele dia, junto com os detalhes dessa história.
Fato é que intriga muito. o porque máscaras de chumbo seriam usadas no meio do mato, junto com um copo de papel alumínio, em um ato de tomar cápsulas, sem que haja uma especificação do que seria essa cápsula, se de medicamento, veneno ou outra coisa.
Sobre a estrutura de cimento onde os mortos estavam, tinha um tipo de folhagem, que na análise, entendeu-se que tinha sido cortada com algum objeto cortante.
Da forma como estava esse tipo de cama improvisada, veio a suspeita que uma terceira pessoa que possivelmente estava com eles naquele morro, tinha feito o trabalho de corta-la e monta-la. Mas tal objeto não estava na cena, o que sugere que essa pessoa teria levado o objeto. 
A suspeita caiu em cima de Élcio, o aprendiz, mas concluiu-se que ele não entrou no ônibus para Niterói, junto com os dois homens e nem sequer sabia o porque da viagem deles.
Ao analisar a mensagem enigmática do papel, descobriram que a caligrafia era de Miguel, mas que tais palavras usadas nele como "ingerir", não eram termos comuns do linguajar de nenhum dos dois. 

Fonte: freak tv

Investigando mais a fundo, também descobriram que os dois técnicos, Miguel e Manoel, e o aprendiz Élcio, costumavam fazer experiências de eletrônica em lugares isolados, sendo que em uma dessas vezes, causaram uma explosão em uma praia que pode ser sentida e ouvida a vários metros de distância. Isso foi relatado por moradores do local em que foi feita a experiência, e disseram que viram um clarão no céu e que seus objetos de dentro das casas foram chacoalhados com o tremor.
O incidente causou tanta confusão, que os moradores do local saíram assustados de suas casas, pensando que podia ser um terremoto ou o fim do mundo, e a marinha chegou a investigar o acontecimento, não tendo conclusão posteriormente.
Todas as possibilidades do que poderia ter acontecido naquele morro foram consideradas, inclusive de que os dois poderiam mesmo ter ingerido cápsulas, talvez medicamentos ou veneno, que podem ter causado suas mortes.
Porém, a autópsia mostrou que não tinha indício de nenhuma substância nociva no corpo de nenhum dos dois, eliminando a possibilidade de morte por envenenamento. 
Analisando a possibilidade de roubo seguido de morte, foi concluído que não poderia ter sido essa a causa, pois o resto do dinheiro não gasto por eles foi embrulhado com calma (que é uma conclusão um pouco contestável).
Não havia nada que faz parte do mundo que conhecemos, da realidade que sabemos, que poderia explicar aquilo, e até hoje não há.
Os objetos na cena não ajudavam com as pistas, a história dos dois estava mais para uma viagem a trabalho e simples curiosidades de caráter científico, e a cena em si, era muito estranha para fazer algum sentido, que dificultava de ter alguma ideia de rumo preciso para a investigação.

As Teorias Paranormais Sobre O Caso

Amigos dos dois homens e de Élcio, disseram que o aprendiz era espírita cardecista, e que teria passado o conhecimento sobre essa religião para Manoel, o que despertou nele o interesse por seres interdimensionais, ou também chamados de extradimensionais.
Esses seres, segundo relatos do que Manoel as vezes dissera, assim como dito em diversos casos paranormais, são seres que estão entre nós mas em um tipo de dimensão paralela, o que dá a entender como espíritos.
As experiências que os três vinham fazendo, poderiam ser tentativas de entrar em contato com os espíritos ou tentar acessar essa dimensão ou dimensões. 

Élcio. Fonte: freak tv

Mas se isso é bem foram do normal em si, quando o caso caiu na mídia e as notícias começaram a circular, as hipóteses e relatos ficaram ainda mais estranhos.
Um mulher relatou que dirigia seu carro na região perto do morro, na companhia de seus filhos, na mesma noite do dia que os dois tinham chegado a Niterói, e que naquela noite, tinha visto o que parecia ser um objeto muito luminoso sobrevoando o morro.
Ainda segundo ela, tal objeto tinha um formato que parecia discoidal, sua luz era branco alaranjada, e que as vezes emitia feixes de luz azulada.
Depois do relato da mulher ser noticiado, outras pessoas da região disseram ter visto a mesma luz, na mesma noite, sobrevoando o mesmo local.
Outra coisa fora do comum aconteceu com o laudo da autópsia, que segundo um promotor público, foi alterado, incluindo o nome do perito responsável, por conta de imprecisões.
Mesmo sendo executado um outro laudo depois, os resultados ainda foram inconclusivos sobre a causa das mortes. 
Porque ir para o morro? Se juntarmos isso com a água magnesiana, o copo de papel alumínio, as máscaras de chumbo e o bilhete, o que fica subentendido parece ser algum tipo de ritual ou preparação para um fenômeno ou acontecimento, muito fora do normal.
O papel alumínio parece remeter a proteção da água magnesiana contra a radiação, e o bilhete cita que haveria "sinal das máscaras" após algum efeito de algo não especificado, sendo talvez algo como radiação detectada sobre as máscaras, e essas protegendo os olhos e o rosto. 
De toda forma, é tudo tão confuso, embaralhado, que podemos bolar várias hipóteses, mas todas elas são igualmente imprecisas e distantes do fato real.
Um caso intrigante aconteceu dois antes das mortes de Manoel e Miguel, em 1964, quando um outro técnico de eletrônica também foi achado morto, também em um morro, o morro do Cruzeiro em Neves, na cidade de São Gonçalo, adjacente a Niterói.
O corpo foi achado sem sinais de violência, com todos os pertences, também no meio da mata, e assustadoramente, também com uma máscara de chumbo em formato de óculos.
Esse homem chamava-se Hermes, e segundo as investigações, ele teria ido para o alto do morro para tentar captar sinais de televisão, não com aparelhos eletrônicos mas só com a força da mente. A polícia também não solucionou esse caso.
Seria um assassino em série que tinha essa ideia de criar tal cena, de crentes no paranormal se matando, para confundir a polícia e esconder ao máximo a verdade? 
Seria um círculo social de técnicos de eletrônica e espíritas, que acreditavam que essas experiências, os levariam ao contato com seres de outra dimensão ou espíritos? 
Fato é que, espantosamente, a vegetação ainda não tinha crescido no mesmo lugar onde estavam os dois mortos, mesmo 12 anos depois. 
Enquanto muitos disseram, entre jornalistas e especialistas, que provavelmente isso foi causado pelo formol usado nos cadáveres, outros especularam que poderia ter sido por causa de radiação, e isso leva de volta a hipótese ufológica, já que muitos casos desses tem fenômenos ou efeitos de radiação relatados.

Fonte: cabana do terror

De toda forma, em 1969, o caso de Miguel e Manoel foi encerrado e arquivado, sem conclusões, mesmo com tantos especialistas e investigadores, de jornalistas e policiais a ufólogos. Nenhuma resposta considerada por alguns, racional ou mais extraordinária, foi achada, e até hoje ninguém sabe o que aconteceu com os dois naquele morro, naquele dia. 
Houve contato com seres de outra dimensão ou de outro planeta, que resultou em morte? 
Ou foi um assassinato muito bem executado? Talvez nunca, jamais, saberemos a resposta.
Agradeço pela visita e pela leitura e se gostou, compartilhe e siga para me ajudar nesse trabalho. Um grande abraço e valeu!


Fontes:

  • Strange Outdoors
  • Freak TV
  • Aventuras na História
  • Portal Vigília

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